
Se há uma coisa que me emociona são as roupas secando no varal. Parece uma bobagem, mas tem seu romantismo. Tenho em minha memória as roupas secando ao vento em um quintal de gramado bem cuidado e verdinho. Na verdade, as roupas também eram bem cuidadas, lavadas pelas mãos delicadas e dedicadas das donas de casa que tinham orgulho do trabalho bem feito. Quanto as roupas brancas isso era um capítulo à parte, verdadeiras bandeiras brancas tremulando ao vento em sinal de paz. Era realmente tempo de paz. Sem falarmos na presença providencial e vital do sol banhando, iluminando e aquecendo à tudo e todos. As crianças correndo no quintal com toda liberdade da natureza infantil, enquanto as mulheres, mães, donas de casa cuidavam da casa, da prole e do marido com todo zelo e despretensiosas.
Nesse contexto, há mais mansidão, carinho e sapiência. Contrariamente, hoje a máquina de lavar, objeto essencial, para nós donas de casa, se pensarmos bem, é algo tosco, chega a ser truculento. Coisa de moradores de pequenas cavernas entulhadas de objetos pretensiosos que fazem as vezes do trabalho delicado das mãos e do sol entre outras coisas. Ainda secamos todas as roupas longe do magnífico e democrático Astro Rei e dos "românticos" varais. Esses ocupantes das referidas "caverninhas" são moradores pálidos na tez e levando uma vida igualmente pálida. Sempre pretendendo, sempre correndo, sempre competindo. Longe das roupas no varal, sem a grama verdinha, longe do vento, longe do sol...
Nada me ocorre a não ser que hoje estamos sempre na sombra ou estamos sombrios ou até mofando como roupas que não secam no varal.







