quarta-feira, 14 de abril de 2010

Roupas no Varal


Se há uma coisa que me emociona são as roupas secando no varal. Parece uma bobagem, mas tem seu romantismo. Tenho em minha memória as roupas secando ao vento em um quintal de gramado bem cuidado e verdinho. Na verdade, as roupas também eram bem cuidadas, lavadas pelas mãos delicadas e dedicadas das donas de casa que tinham orgulho do trabalho bem feito. Quanto as roupas brancas isso era um capítulo à parte, verdadeiras bandeiras brancas tremulando ao vento em sinal de paz. Era realmente tempo de paz. Sem falarmos na presença providencial e vital do sol banhando, iluminando e aquecendo à tudo e todos. As crianças correndo no quintal com toda liberdade da natureza infantil, enquanto as mulheres, mães, donas de casa cuidavam da casa, da prole e do marido com todo zelo e despretensiosas.
Nesse contexto, há mais mansidão, carinho e sapiência. Contrariamente, hoje a máquina de lavar, objeto essencial, para nós donas de casa, se pensarmos bem, é algo tosco, chega a ser truculento. Coisa de moradores de pequenas cavernas entulhadas de objetos pretensiosos que fazem as vezes do trabalho delicado das mãos e do sol entre outras coisas. Ainda secamos todas as roupas longe do magnífico e democrático Astro Rei e dos "românticos" varais. Esses ocupantes das referidas "caverninhas" são moradores pálidos na tez e levando uma vida igualmente pálida. Sempre pretendendo, sempre correndo, sempre competindo. Longe das roupas no varal, sem a grama verdinha, longe do vento, longe do sol...
Nada me ocorre a não ser que hoje estamos sempre na sombra ou estamos sombrios ou até mofando como roupas que não secam no varal.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A Discoteca do Chacrinha

A mulherada dançando e rebolando com suas pernas gordas, quadris imensos e celulites à vontade. Hululando em nossas caras nas tardes de sábado, bacalhau voador, "melancias e outras frutas" não faziam espetáculo sexual, elas eram sim, atiradas e consumidas pelo público que se deleitava com a brincadeira.
Não sei explicar, mas não era apelativo, não ofendia, era divertido, ingênuo.
Desde a vovó até os pequenos assistiam a tudo, era um programa da família.
Muitas cores, muita música, platéia tão debochada quanto o apresentador, espontaneidade era a marca registrada.
Os artistas, grandes nomes da música brasileira, vinham despidos de sua arrogância e entravam na brincadeira do velho guerreiro e suas bundas hululantes (chacretes). Era pura alegria!
Figurinhas carimbadas ajudavam no palco e faziam parte do espetáculo multicolorido, multishow.
O programa "rescendia", a FELICIDADE (se é que pode se sentir o cheiro no ar e pela tv)
Sem esse chororô chato dos programas atuais com esse apelo sentimentalista e principalmente materialista.
O retrato do povão, sem maquiagem, sem essa de paternalismo com doações de casas, carros, móveis ou qualquer outra coisa. O que se doava era a alegria.
Banguelas, cafonas, gordões, vermelho com roxo, carecas, magrelos, descabelados, mal ajambrados, todos tinham seu dia de glória na platéia, no palco ou apenas assistindo ao "velho" do outro lado pela tv.
Isso é o que chamo de comunicação, sem ruído, é o que o povo precisava e precisa.
Algo de puro entreterimento, a mensagem era dada para as donas de casa,(Roberto Carlos) o filhinho,(cores, música e palhaçada) o papai (bundões gordos) todos de alguma forma encontravam distração com o programa.
Afinal, quem não se comunica se estrumbica!!! Não é Therezinha? Roda roda roda e avisa um minuto pros comerciais.....
Deu para perceber que eu sou fã do ABELARDO BARBOSA, mas quem não é?

quarta-feira, 31 de março de 2010

CARTA


Cara amiga,

Hoje, a saudade toma conta de tudo que é meu e lembrei-me de você. Apesar da enorme distância que hoje nos separa ela também é mais um elo de ligação entre nossas almas porque ainda podemos partilhar idéias e sentimentos em cartas. Sabemos amiga que poucos escrevem ou falam de suas emoções. Retirei a armadura e escrevo hoje como forma de desabafo. As palavras parecem encontrar descanso no seu ombro amigo.
Tenho me sentindo oprimida, um peso no peito, uma dor quando respiro. Os espaços tornaram-se muito pequenos para minha ânsia de liberdade, o peso da responsabilidade hoje me devora.
Lembro-me amiga quando sentadas nas pedras podiamos sentir o vento que vinha do mar e juntas mergulhavamos dentro do horizonte ou ainda quando simplesmente ficávamos a conversar no fio da calçada ao largo das horas. Caminhar sem norte e a paz não existia porque ela sempre esteve dentro de nós. Sorrir e rir sem motivo algum, não parecíamos tolas, a felicidade era a ordem do dia. Não lembro de gritos, tão pouco palavras ríspidas, apenas ponderações divergentes. Eu não era ninguém, não era ainda um MULHER, não era esposa, não era profissional, era EU o que já era demais. Gostávamos de ler e escrever a qualquer hora e a toda hora, tempo não era problema. Meu coração era limpo, não vazio, simplesmente limpo. Não sentia fome, comia apenas para viver. Minha aparência não me preocupava, os cabelos cresciam exatamente no ritmo da liberdade que desfrutava. Era lindo!!!!!
O tempo passou e fui tragada por coisas que não partilho. Sucumbi as exigências sociais. Sou apenas mais uma na imensa cidade que não escolhi para viver, apenas para trabalhar e cansar. Agora vou dormir, descansar e abandonar esse tom de melancolia porque amanhã amiga é outro dia e como disse muito bem o poetinha (Vinicius de Moraes) "É MELHOR SER ALEGRE QUE SER TRISTE."
E para quem guarda lembranças como essas, só resta mesmo é ser feliz. Me perdoe pela chateação, mas sabe tem dias.....
Foi realmente muito bom escrever para você, sinto-me mais leve e meu coração agora bate em sossêgo.
Até as próximas linhas.

MARIA MARIA

domingo, 21 de março de 2010

Coisas de doméstica


Coisas da vida doméstica requer muita paciência, disposição para um trabalho infinito e muita humildade, já que não se tem reconhecimento algum pelo nobre feito. Hoje os homens, ainda poucos, partilham também dessa jornada sem férias.
Mas, mudando tom da palavra e fazendo uma reflexão rápida e superficial do intricado e complexo mundo doméstico, gostaria de partilhar com vocês algumas coisinhas de consumo caseiro que considero vantajosa. Alguns produtos tornaram-se sinônimos, vocês sabem disso. Quantas vezes, nos deparamos falando em comprar determinado produto como palha de aço e falamos Bombril, a marca. Tá certo que acabamos experimentando outras marcas, mas para mim, "o barato sai caro". E parafraseando o TIO SAM " time is money" .
Não é meramente figura de linguagem é constatação diária, cotidiana. Também facilita a compra, não perco tempo olhando outras coisas, afinal o tempo urge! E ir ao mercado , fala sério....!!!! Ninguém merece....
Só de lembrar na logística empreendida, fico cansada, trocando em miúdos: coloca-se os produtos no carrinho, enfrenta-se a fila do caixa, retira-se os produtos e coloca na esteira, empacota todos eles com cuidado, novamente coloca-se no carrinho, depois segue até o carro e retira do carrinho e coloca no porta malas. Já no recesso do sagrado lar, retira do porta malas, coloca no carrinho do prédio, sobe no elevador, descarrega na cozinha e finalmente ajeita tudo meticulosamante nos armários e geladeira. Ufa!!! só nós mesmos domésticas e domésticos para uma tarefa complexa que para muitos parece banal. Isso, sem falar no cuidado com os congelados e hortifrutis.
Então aí vai:
Sabão em pó, não tem como, para mim tem que ser OMO. (caraca!!!). Não estou ganhando nada com isso, quero enfatizar.
Molho de tomate só Pomarola.(pomodoro tomate pros italianinhos de plantão) Amaciante Confort; Alvejante Cândida; Limpador Multi Uso Veja; Desinfetante Pinho Sol; Esponja de Limpeza Scoth Brite; Fraldas Pampers; Leite Condensado Moça; Creme de Leite Nestlé; Leite em pó Nestlé; Requeijão Poços de Caldas; Manteiga Aviação (aqui ninguém tá preocupado com o colesterol)
Pessoalmente, a fidelização ocorreu porque a relação custo benefício é bem equilibrada, e o binômio necessidade e possibilidade também. É isso aí!
Achou um porre, faz de conta que não leu e deleta.....

quarta-feira, 17 de março de 2010

quinta-feira, 11 de março de 2010

A Boa Notícia



"A televisão me deixou burro muito burro demais"



Assim, como muitos estou esperando pela boa notícia. Os noticiários não tem contribuído em quase nada para uma informação construtiva, pessoalmente tenho sentido uma influência negativa e pesada. A importância social das informações é fundamental para a construção do perfil de uma população sadia física, econômica, política e socialmente. Contudo, a cada mês uma desgraça familiar (Caso Isabela, Susana Richtofen, a garota morta pelo namorado no ABC, o rapaz que arremessou seu filho do prédio etc,etc..) toma proporções gigantescas e afronta nossa capacidade de discernimento. Tem sido comum o medo de sair, medo de se envolver (desconfiança), enfim medo de enfrentar a vida. Só que a vida não é aquela que passa na televisão, aquilo é apenas um fragmento da realidade sendo transportado até as casas, mas infelizmente milhões de pessoas reproduzem exatamente o que ouvem e assistem nos noticiários. Isso tudo só tem somado para uma histeria coletiva de pessimismo e depressão. Notem como se explora demasiadamente temas como doenças, mortes, sequestros, acidentes, catástrofes e por aí vai. Não estou propondo alienação, apenas acredito que poderíamos ter um ganho maior se o inverso ocorresse: as informações positivas tivessem a mesma proporção. Certamente essas informações existem, apenas não estão ganhando a mesma importância. Ou será que estamos calejados de tanta notícia ruim que as boas passam desapercebidas?
Informações como iniciativas empreendedoras, idéias transformadoras, criações inovadoras, um mundo todo a ser descoberto, compreendido em uma nova dimensão de valores e aceitação. Precisamente tudo isso está acontecendo, é o curso natural das coisas: renovar, criar, descobrir. Agora basta ser amplamente disponibilizado e usufruído por todos e não somente por aqueles que tem acesso a boa informação, se não me equivoco.
Talvez, quando o apresentador dissesse BOA NOITE, não pareceria uma piada sem graça e acordaríamos mais confiantes para a jornada do dia seguinte.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

FILHO II


Meu filho está crescendo tão rápido quanto seus cabelos. Rapidez também na capacidade de armazenar informações e conhecimentos. É uma cabecinha em franca expansão. Ele não é genial, apenas uma criança curiosa e bem enquadrada aos apelos do seu tempo.
Algumas vezes, me pego pensando que essa linda e divinal criatura (entendam, não porque é meu filho, mas por ser a expressão perfeita da natureza) se desenvolverá em um mundo estéril. Apenas com contatos rápidos e superficiais com a terra, a grama, pequenos insetos, animais, areia, água e tantos outros elementos. Acho que vai crescer sem nunca ter tido as unhas sujas de barro, as pernas e cotovelos arranhados ou ainda alguns pequenos cortes, bem se vê que isso são coisas do meu tempo de moleca.
Imaginem que até o parque que ele frequenta no clube da cidade é de grama sintética. (fiquei horrorizada)
Bom mesmo, era ficar o dia todo pelo quintal em busca de aventuras. Quem nunca fez experiências com produtos de limpeza da mamãe, colocando formigas ou minhocas dentro do detergente para ver o que dava. Fazer bolinho de água com barro nas panelinhas e enfeitá-los com florzinhas e folhas arrancadas do jardim. Brincar com pintinhos, era muito comum no meu tempo, qualquer evento que existia eles davam pintinho para molecada, sendo que na feira (coisa milenar, forma mais primitiva de comércio) também vendia patinhos, sempre que podia trazia algum para casa.
Sem esquecer, é claro, dos gatos e cachorros que eram sempre introduzidos na família e rapidamente reencaminhados o que é hoje politicamente correto.
No meu caso, cheguei também a ter um hamester, era uma graça, só minha mãe é que não achava, vai saber porquê? KKKKK.
No calor brincava com água, com o delicioso espirrador, hoje ele tem uma pistola d'agua com pressão modelão século21.
Fazia cabana com cobertores e lençois sustentada por cadeiras. Agora, o pequenito tem a barraca bem estilizada do Ben10, tudo pronto, que graça tem? Só ele sabe ou talvez eu é que não entendo...
Andava de bicicleta e colocava um pedaço de plástico preso com pregador no aro para fazer um barulho diferente. As melhores brincadeiras eram na rua, junto aos vizinhos amigos. Queimada, pega-pega, taco, esconde-esconde, mãe da rua, pular corda, e até o audacioso beijo, abraço, aperto de mão e tantas inumeráveis brincadeiras de toque bem humano ou seja sem o outro a bricadeira não acontecia. Já a minha figurinha modelo 21 pertence a toda uma imensa geração de filhos únicos e "brincar sózinho" ou com adultos é aceitável.
O meu rebento século 21, já pensa e manipula sózinho, com uma certa dificuldade, (dada a pouca idade) jogos e até programas no cérebro eletrônico: o paint é um deles.
As máquinas e toda tecnologia disponível já pertence ao seu mundo, assim como as bolas para gente como eu, do século passado.
Grande parte do tempo o meu garoto passa em ambientes fechados, quer seja dentro de casa, nos shoppings, na escolinha, piscina coberta e assim por diante....
Recentemente, os bichos foram vistos ao vivo e a cores quando estivemos no zoológico e parece que não foi assim tão interessante quanto para os pais babões do século 20.
Percebi que o aquário foi mais atrativo, afinal se parece com uma tela gigante.Coisas de gente do século 21.
Ps:Continuamos insistindo para que ele conheça todas as maravilhosas brincadeiras do século passado, afinal sabemos o quanto era bom!!!!!!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

80 80 80 80 80 80 80 80 1980 a década


Os anos 80 assim como nos 60 trouxeram em seus dias muitas mudanças e histórias que dariam um livro de perspectivas políticas, sociais, artísticas, estéticas e porque não revolucionárias. Mas simplesmente vou me ater a superfície de algumas experiências pessoais.
Lembro-me quando completei 18 anos e meus amigos da rua fizeram uma festa surpresa. Éramos um grupo grande de adolescentes que passavam noites inteiras conversando e rindo na calçada em frente à casa de uma amiga. Viramos o terror da vizinhança, que era composta por senhores aposentados que se ressentiam pelo barulho que fazíamos ou talvez pela nostalgia da juventude já passada ...
Nas noites de frio ou de calor nada mudava o ânimo de nos encontrar e reafirmar que o mundo nos pertencia, afinal, éramos jovens e tudo estava a nossos pés. Um horizonte infindável de oportunidades e descobertas sempre vistas com olhos esperançosos onde tudo sempre dá certo.
O viço da pele também era o das idéias, das primeiras viagens em bandos de amigos, das festas, das acaloradas discussões, dos amores juvenis cheios de eternas paixões que duravam até a próxima semana, de opiniões que se delineavam de acordo com a formação de cada um. Do grupo saíram os rebeldes, peões de fábrica, os reacionários, os intelectuais, os casadouros, os malucos incuráveis, os artistas, os homens de fé, donas de casa enfim toda sorte de perfil social.
Era muito comum caminhar de madrugada pela cidade, o terror parecia não existir e se existia simplesmente ignorávamos, afinal éramos super heróis geração 80. Quando os garotos começaram a trabalhar, todos ou pelo menos a maioria tinha moto, o que era um terror para as mães e a velha vizinhança . Passamos a sair sempre motorizados e naquele tempo (década de 80), sequer nos preocupávamos com capacete. Aliás, tudo era mais leve, porque íamos a praia ou a piscina e ficávamos o dia todo sob o rei SOL, e filtro solar só em conto de ficção científica, isso também valia para cinto de segurança, e tantas outras coisas... E posso afirmar que todos sobrevivemos e com poucos arranhões. Também não nos preocupava o politicamente correto porque tudo era correto! Era uma liberdade ingênua e "seguramente mais segura" que a atual. Ah! e tudo isso e mais muitas outras coisas, algumas até inenarráveis foram permeadas por muita música: o bom rock nacional, heavy metal, rock, rock balada, mpb, punk rock, mais tarde jazz e blues e tudo de bom que as sonoras ondas podiam nos proporcionar aos ouvidos. Créditos também para um jeans rasgado, um tênis sujo e uma camiseta com apelo político, musical ou qualquer outra coisa. Acredito também, que vale ressaltar que a grande maioria do grupo era da escola pública que apesar de dar sinais de desmantelamento da estrutura, havia ainda alguns oásis de conhecimento e cultura. Muitos de nós transitaram pelo mundo acadêmico sem grandes dificuldades.
Como se vê, celulares, pcs, netbooks, notebooks, wii, tatuagens, piercings e muitas coisitas descritas aqui ou esquecidas não fizeram a menor falta na nossa ritual passagem da juventude para maturidade onde a realidade nos encontrou sem grandes traumas.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010


A INFLUÊNCIA DOS VENTOS ALÍSIOS NA MENSTRUAÇÃO DAS BORBOLETAS AZUIS.


Leu , perdeu tempo? Viu ! Quanto se desperdiça em energia e tempo em coisas estapafúrdias. Lembre-se o mundo literalmente convulsiona estremecendo e jorrando em forma de lavas toda sua dor, haja visto terremotos, vulcões e por aqui as enchentes.
Ps: Tempos vazios, sem inspiração

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Excesso de simpatia


Amanheci simpática. Logo no primeiro encontro um eloqüente bom dia, com um sorriso emoldurado no rosto, afinal era um daqueles dias que não sei porque estava feliz. Antes de alcançar a rua, em casa, até ensaiei uns passinhos tímidos ouvindo uma música na cozinha.
No decorrer das horas, o inusitado estado de graça prevaleceu e assim foi na fila do supermercado, quando gentilmente cedi a vez para um senhor (não um idoso) que aguardava com pouco volume na mão. Coisa rara... Supermercado geralmente é muito estressante.
Na manicure elogiei seu trabalho e não perdi a oportunidade de notar o cabelo bem cuidado da moça. Conversei atenciosamente com um estranho a caminho do centro comercial. Dei informações sossegadamente as pessoas que me perguntaram e ainda todas as vezes que esbarraram em mim ou fui esbarrada, relevei gentilmente e em outras pedi desculpas.
Já no carro, no trânsito, com os temporais assolando a cidade, conservei meu bom humor e sempre que podia abria os vidros e trocava palavras solidárias e de incentivo com o motorista ao lado.
O dia realmente parecia belo, o céu azul, os passáros cantando, a vida resplandescendo em toda sua exuberância, pelo menos era assim que me sentia. Tudo a minha volta era perfeito. Nada poderia afetar o meu estado de graça. Exceto é claro até o momento que chego ao banco.
Raramente vou ao banco pessoalmente, mas nesse glorioso dia de congraçamento comigo mesma e com o próximo, fui obrigada a comparecer a agência.
Aguardando calmamente a minha vez até o caixa, e continuando na minha esteira diplomática e simpática, quando chegou a minha vez puxei um papinho com a moça do caixa. Nesse momento vejo desmoronar toda minha positiva disposição.
Não por questões financeiras ou burocráticas, mas sim pela minha óbvia indiscrição, ou melhor, eu diria pelo excesso de simpatia.
A moça do caixa era uma moreninha bonita e de formas arredondadas, inevitável não perceber nesse dia em que tudo e todos mereciam elogios, foi aí então que eu perguntei :
Para quando é o bebê?
O rosto da moça se transformou e imediatamente senti que havia dado uma colossal e imperdoável mancada. Imperdoável por também ser mulher e saber que jamais deve perguntar se a outra está grávida, com exceção do atestado médico ou exame de sangue comprovando o fato. Colossal porque parecia que a enxurrada estava me levando, acho que no fundo era isso que eu queria.
Enfim, a moça educadamente respondeu que não e eu saí arrasada o mais depressa possível daquele lugar.
Acabo de comprovar que realmente os bancos não tem uma energia positiva, é muita gente "urubuzando" grana.
Acho que foi isso....